May 10, 2012

Rotina escolar

A rotina nas escolas canadenses começa com o "sinal". Basta tocar o sinal e as crianças correm para as filas. No inicio eu achava super estranho porque as escolas não têm portões, cercas, muros, nada. Fica tudo aberto...

Em seguida eles entram na escola e vão para suas salas. Do lado de fora de cada sala tem cabides, bancos e ganchos para pendurar os casacos, colocar as malas, trocar os sapatos. No inverno principalmente é muito importante trocar de sapato por causa da neve e da sujeira. Os professores sempre pedem que os pais deixem um par de sapatos na escola para as crianças usarem dentro da escola.

Quando todo mundo está trocado e dentro da sala de aula, a diretora avisa que todos devem se levantar para cantarem o hino. Todas as salas têm auto-falantes e tb um telefone para se comunicar com a diretoria. Não sei se aqueles telefones podem fazer ligações externas!

Todos cantam o hino, as vezes em inglês, as vezes em francês. Em seguida, na escola católica, eles rezam o pai nosso ou fazem alguma outra oração e depois começam os recados do dia: as atividades que eles vão fazer, os aniversariantes do dia e avisos em geral.

Só então a aula começa.

Neste momento "Oh Canada" a escola inteira pára. A secretaria não atende o telefone e se uma pessoa precisa entrar na escola por algum motivo, tem que esperar terminar tudo para se atendida. Mas este "momento" não leva mais do que 5 minutos.

A seguir, eu imagino que as professoras façam a chamada e verifiquem os alunos ausentes. Em todas as escolas canadenses os pais têm que avisar na escola quando os filhos vão faltar. Se vc não liga, a escola te liga assim que as professora verificam os alunos ausentes. E claro, vc tem que justificar a falta.

Uma amiguinha da Luisa falta muito na escola. Mas este muito significa algo como 3 ou 4 vezes a cada 2 semanas. A mãe estava me contando que a diretora a chamou para uma reunião e quer que ela passe por uma entrevista com uma assistente social. Elas vão fazer uma reunião entre a diretora, a professora, os pais e a assistente social para discutir um possivel problema na casa da menina. Depois disso, provavelmente a familia terá um acompanhamento, com visitas em casa para verificar algum possivel problema.

O horário das aulas é de mais ou menos 5 horas e meia. Na escola das crianças eles entram as 8:40 e saem as 3:10. As meninas ainda fazem meio periodo e saem as 11:10. Eles têm dois lanchinhos curtos de cerca de 15 minutos e 1 hora de almoço que pode ser feito na escola ou em casa.

Eu já assinei uma autorização dizendo que o Eduardo vai todos os dias almoçar em casa, então na hora do almoço, a professora o acompanha até a porta da escola e fica com ele até eu aparecer. Caso eu me atrase para traze-lo de volta, ele precisa passar pela secretaria para pegar uma cartinha de atraso para levar para a professora.

O interessante é que todas as faltas e atrasos vêm anotadas no boletim e fazem parte do histórico do aluno. O controle é rigoroso.

Nas escolas existem as entradas laterais por onde os alunos entram normalmente, mas os pais normalmente não podem usar estas entradas. Na escola das crianças é inclusive proibido aos pais descerem as escadas de acesso à entrada: nós temos que deixar as crianças lá em cima. A entrada da frente da escola é por onde nós podemos passar, mas sempre temos que avisar na secretaria.

Em compensação, a sala da diretora costuma fica ao lado da secretaria e o acesso a ela é muito facil. Elas estão sempre presentes no dia a dia das crianças e dos pais. Elas conhecem cada pai, cada mãe e cada criança. A relação é muito próxima.

Mas não existe aqui aquela história de chamar a professora pelo nome ou de tia. Todos os funcionários da escola são chamados pelos seus sobrenomes, assim como nós, pais.

Eu sou a Mrs. Barbosa, por causa do sobrenome das crianças, mesmo assinando os bilhetes como Costa, rs. Já até aderi ao sobrenome do meu marido e talvez o acrescente ao meu nome nos meus documentos canadenses.

May 08, 2012

E as escolas católicas???

Pelo que eu li, a primeira escola canadense foi fundada pela igreja católica em 1620. Em 1842 foi fundada a segunda escola canadense em Alberta tambem católica. Até o seculo 19 todas as escolas canadenses eram cristãs (católicas ou protestantes).

Mas no início do seculo 19 houve um movimento para que a responsabilidade sobre a educação no Canada passasse para o estado. Até então, as escolas eram mantidas pelas igrejas a que pertenciam e pelos pais do alunos que podiam pagar.

Em 1846 houve um "Ato" feito por Egerton Ryerson, defendendo a idéia de que o Governo deveria ser responsavel por educar as crianças de maneira uniforme, comum, seguindo a cultura protestante (porque em Ontario a maioria da população era protestante) independente do background das familias. Esta idéia de escola surgiu em Ontario mas rapidamente se espalhou para outras provincias e assim foi fundada a escola pública canadense.

Mas em algumas províncias, como por exemplo Ontario e Alberta se houvesse numero suficiente de famílias de determinada religião, havia a possibilidade de se fundar a "separate school" (escola separada) e o dinheiro para manter estas escolas viriam dos impostos que estas famílias pagassem. Como naquela época só existiam católicos por aqui em número suficiente para fundar uma escola, originaram-se as escolas católicas.

Eu já ouvi dizer que as crianças católicas sofriam muito preconceito nas escolas protestantes e que naquela época foi muito importante ter as escolas católicas. Eu acredito nesta versão.

Em Ontario existem as duas escolas (católicas e públicas) que são mantidas pelo governo. Em Toronto, quando vc compra uma casa, vc recebe um formulário onde escolhe para qual School Board vai o dinheiro do seu Imposto Predial. No proprio imposto, vem escrito o valor que foi direcionado para educação.

Como meus filhos estudam na escola católica, eu escolhi o Toronto Catholic District School Board.

Para estudar em uma escola católica até a oitava série,  a criança tem que necessariamente ser batizada na igreja católica, ou em casos especiais, um dos pais tem que ser católico. Sempre existe uma negociaçao que pode ser feita, mas não foge muito disso.

No High School (grades 9-12), o jovem não precisa ser necessariamente católico. Se existem vagas remanescentes na escola que não foram preenchidas pelos alunos das escolas católicas da região, eles aceitam jovens não catolicos.

Como a escola é católica, existe um componente religioso. Na segunda serie todas as crianças são convidadas a fazerem a primeira comunhão (não é obrigatorio), após cantar o hino do Canada eles rezam o Pai Nosso, fazem algumas missas na escola em que todos os alunos participam e os pais podem participar também, fazem missa no Natal e têm aula de religião.

Para os meus filhos que não frequentam nenhuma igreja, está sendo muito bom. Eu conheço o catolicismo e sei exatamente o que eles estão aprendendo na escola. E mais do que isso, eu percebo que é de uma maneira leve, sem um monte de proibições, pecados, castigos, julgamentos...

A escola pública, que se iniciou como protestante, hj é uma escola laica. Devido ao grande número de imigrantes de religiões variadas ou que não professam nenhuma fé, estas escolas foram perdendo o carater religioso e hj em dia, em algumas delas chega a ser ofensivo desejar feliz natal. Quando nós chegamos aqui, nós concordávamos com esta idéia (eu falei muito sobre isso em 2009, rs), entretanto, conforme o tempo foi passando, eu fui percebendo que um ensino religioso era sim importante para os meus filhos.

Agora, é preciso levar em conta que todas as escolas católicas vão ser mais ou menos parecidas entre si porque todos os alunos são católicos e portanto têm uma cultura religiosa parecida. Nas escolas públicas não dá pra dizer o mesmo. Tudo depende do imigrante que mora na região de cada escola. O meu bairro tem muitos imigrantes do leste europeu, mas existem bairros cheios de muçulmanos, de indianos, de somalis, portugueses e logicamente o perfil das escolas vai mudar.

Outra coisa interessante é que não existe uma regra em relação à qualidade da escola católica ou pública. Em alguns bairros as católicas tendem a ser melhores, em outros bairros as públicas são melhores. 

No meu bairro a pública é muito melhor que a católica do bairro, mas meus filhos estão estudando em uma escola católica "aberta" ou seja, que aceita crianças de outros bairros. Já a pública daqui é fechada e só quem mora na região pode matricular o filho lá.

Na hora de escolher uma escola em Ontario é muito importante levar em conta a população que mora no bairro, porque os alunos é que fazem a diferença no nivel da escola. Como vc tem que estudar na escola do seu bairro, mais importante do que a cidade onde vc vai morar, é conhecer a escola onde seu filho vai estudar, porque infelizmente a diferença é muito grande.

E para finalizar, o currículo é exatamente o mesmo nas duas escola (pública ou católica). Ambas ensinam exatamente as mesmas coisas baseadas no curriculo da província.

PS: Walter: eu vou falar do hino em breve, rs

Quanto à qualidade das escolas: meus filhos estudam em uma pequena escola, com aproximadamente 200 alunos. Eu acompanho de perto a vida escolar dos 3 e posso afirmar que o ensino é muito bom. As professoras são muito bem preparadas, o curriculo é muito interessante mas bastante diferente do brasileiro. O método é meio construtivista e o foco é o raciocinio. Imagine que meu filho está na terceira serie e não aprendeu tabuada. Ele esta aprendendo a multiplicar, mas sempre desenvolvendo estratégias lógicas para fazer a conta e não memorizando os números.

No inicio eu achei que aquele negocio nao ia dar certo, mas hj eu percebo que ele memorizou a maioria dos números que já aprendeu (até a tabuada do 8), mas consegue usar facilmente o raciocínio para fazer a conta de numeros maiores.

Outra coisa interessante é que eles vão aprendendo aos pouquinhos. Todo ano eles aprendem os mesmos assuntos, mas vão se aprofundando um pouquinho mais no ano seguinte. Eles fazem muitos passeios onde aprendem na prática (A Luisa vai fazer um passeio para estudar insetos), vêem muitos filmes na escola, muitos trabalhos manuais, muitos esportes, jogos, musica, historia... é fantástico. Alem disso, as crianças com qualquer tipo de dificuldade sempre tem acompanhamento. Eles têm varios tipos de programas para ajudar estes alunos e a troca entre o professor e a familia é enorme.

E o principal: meus filhos AMAM ir para a escola. A maior chantagem que eu faço aqui é dizer que eles não vão pra escola. O ambiente é divertido, aconchegante, bonito, mas muito muito simples. Móveis bem antigos, materiais reutilizados de um ano para outro, eles vivem pedindo embalagens vazias para trabalharem com as crianças e fazem coisas lindas e interessantes do mesmo jeito.

Eu gosto de comparar com o Sabin, porque eu amo esta escola e se estivesse no Brasil, meus filhos estudariam lá. No Sabin, eles tinham quase tudo isso, mas o custo era inacreditável. Aqui meus filhos fazem as mesmas coisas gastando quase nada. Este ano eu levei para a escola das crianças 2 (duas) caixas de lenço de papel e 3 pastas plasticas (1,50 o pacote com 3) e paguei $10.00 pela agenda. E acredite: muitos pais reclamaram!

Infelizmente, apesar de tudo isso, muitas crianças ainda ficam para trás, não se desenvolvem e acabam parando de estudar. O Canadá é a grande prova de que os pais têm um papel decisivo na vida escolar de seus filhos. Com raras exceções, pais que não valorizam o estudo têm filhos que vão mal na escola.

May 06, 2012

Quem é quem?



A foto aí de cima foi pega na internet a partir das palavras-chave: toronto catholic school board. É uma foto de uma escola católica qualquer da cidade de Toronto no momento em que todos os alunos ficam em pé para cantar o Oh Canadá (hino nacional, cantado diariamente nas escolas canadenses antes do início das aulas).

Esta foto não é da escola dos meus filhos, mas não faz muita diferença, porque na verdade todas as escolas publicas e católicas aqui são assim: multi-raciais. E os pais destes alunos têm as mais variadas profissões.

Olhando estas crianças, nós podemos até tentar adivinhar de onde vieram seus pais, mas não temos como saber qual o nivel cultural e financeiro que eles têm. Certamente o pai de um deles trabalha na construção civil, outro pode ser médico, deve ter um que trabalhe com business ou marketing e talvez até tenha um engenheiro. A Luisa tem uma amiga cujo pai é bombeiro, e o pai de outra amiga é pedreiro, o pai de uma terceira tem uma funilaria e a mãe de uma amiga da Helena é enfermeira.

Apesar das escolas católicas só aceitarem crianças católicas ou filhas de pai ou mae católico, ainda assim, a variedade é grande. E nas escolas públicas o infinito é o limite, rs (tem até católico).

No início eu confesso que foi um pouco chocante! Eu sempre me lembrava de uma entevista do Raí (jogador de futebol) que foi jogar na França e se assustou quando descobriu que a filha dele ia estudar na mesma escola que a filha da empregada, rs. Infelizmente brasileiro não está acostumado com isso.

Mas quando eu vejo aquela criançada correndo no gramado da escola, todo mundo tão diferente e ao mesmo tempo tão iguais, tendo as mesmas oportunidades, eu sinto uma alegria enorme. É muito rico conviver com o diferente, mesmo no nosso caso em que todos são católicos.

April 29, 2012

Sarnia

E lá vamos nós de novo com mais mudanças e mais emoções!!!

Depois de 4 meses trabalhando em Halifax, o Sergio recebeu uma proposta para trabalhar em uma empresa de engenharia em Sarnia. A história toda será contada por ele, mas eu quero mesmo é falar da nova cidade onde ele vai morar a partir da semana que vem.

Sarnia é a maior cidade do Lake Huron com seus 89,555 habitantes (grande Sarnia, rs). Apesar de ser bem pequena, ou talvez por isso mesmo, eu me apaixonei!!! A cidade é linda!!! Ela fica há uns 280km da minha casa, mais ou menos 3 horas de carro.

Na verdade, a cidade se parece muito com o bairro onde eu moro em Toronto, mas acho que é ainda mais bonita. O ritmo me pareceu aquele de cidade do interior e apesar de gostar de um pouco de movimento, eu fiquei encantada!

Passamos o domingo lá procurando um apartamento para o Sergio. A grande dificuldade de aluguel por aqui é que é complicadíssimo encontrar um lugar para se mudar já: quase todos os lugares que vimos tinham alugueis para o inicio de junho e ficar um mês em hotel ia ser meio caro.

Mas com um pouco de conversa o Sergio acabou conseguindo alugar um apartamento que estava sendo desocupado hj. E o melhor: este mês já foi pago pelo antigo morador e ele só começa pagar em junho.

Estamos super animados com esta nova distância: ele vai poder vir para casa todo final de semana e de repente pode até nos fazer uma surpresinha de vez em quando. Quando não quiser dirigir, pode pegar o Trem que vem direto para Toronto com apenas 2 ou 3 paradas. Sem contar que eu tb poderei ir visita-los com as crianças sem grandes problemas e gastos.

Outras duas vantagens desta cidade: ela fica na província de Ontario (onde já sabemos como tudo funciona) e na divisa com os EUA (o que facilita para o marido liberar umas comprinhas do outro lado da fronteira).

April 26, 2012

Alcachofra

Vc já comeu alcachofra?

Eu já! Pra falar a verdade, eu como alcachofra desde de criança e é um dos meus pratos prediletos!!! Eu me lembro que toda vez que minha mãe comprava, a familia inteira ficava feliz!!!

Mas, muita gente (muita gente mesmo) não conhece este vegetal ou nem imagina como se come este negócio que parece uma flor, mas as pétalas são folhas e todo mundo diz que se come com as mãos...

Minha mãe sempre comenta que quando compra alcachofra aparece alguem e pergunta como se prepara esse negócio. E ela sempre ficava explicando a receitinha deliciosa dela. E eu estou constatando que as coisas não mudaram nada nada e quando compro alcachofra (aqui ou no Brasil) sempre aparece alguem perguntando como eu preparo.

Aqui no Canadá se vende muito o "coração" da alcachofra em conserva ou temperado. Eu amo, sempre compro pra comer com pão, mas não é a mesma coisa!!! A alcachofra pra ter graça tem que ser comida igualzinho minha mãe faz: recheada, cozida e depois vai tirando folhinha por folhinha e molhando no molhinho de vinagre-oleo-sal-agua-do-cozimento.

Então, meus leitores queridos, vou contar aqui como minha mãe prepara este prato tão peculiar e que causa tanta estranheza em quem ainda não conhece!

Para comprar:

No Brasil se encontra alcachofras super bonitas, grandes e vistosas. Mas as vezes elas estão duras e o espinho que tem perto do miolo não pode ser comido. Por isso eu sempre preferi comprar as menorzinhas. Aqui no Canadá eu não costumo encontrar as grandes. Normalmente elas são pequenas e pra ser honesta, muitas vezes parecem meio muchinhas. Mas têm funcionado bem.

Para limpar:

Eu sempre corto o talo bem rente à alcachofra para que ela fique em pé. Depois tiro as folhas velhas e as mergulho em água com limão para que elas não escureçam. Um detalhe interessante é que não me lembro de ter visto alcachofra com espinhos nas pontas das folhas no Brasil. Mas as que encontro aqui em Toronto têm espinhos e precisam ser retirados porque eles realmente machucam o dedo. Então com uma tesoura eu corto a ponta das folinhas para tirar os espinhos e depois corto a parte de cima da alcachofra para ficar mais facil de colocar o recheio e não correr o risco de furar a ponta dos dedos com eventuais espinhos.

Recheio:

O recheio pode ser a gosto. Já me deram varias receitas com por exemplo carne moida refogada ou um recheio de frango (tipo recheio de coxinha). Eu gosto, é claro, do recheio que minha mãe faz, rs...

- 5 fatias de pão de forma ou 1 paozinho frances amanhecido
- leite para molhar o pão
- salsinha e/ou cebolinha bem picadinhas
- sal
- queijo (mussarela, provolone, parmesão, queijo tipo minas - eu já fiz com todos eles e ficou muito bom).

Eu molho o pão no leite e depois expremo com as mãos para tirar o excesso de leite. Nesta massa de pão eu coloco todos os outros ingredientes e misturo bem.

Rechear a alcachofra

Para rechear, eu abro gentilmente as alcachofras para não correr o risco de arrancar todas as folhas. Vou abrindo primeiro as folhas externas até chegar na parte mais interna. Neste "buraco" eu coloco o recheio.

 Encho bem a alcachofra com o recheio e levo para cozinhar em água fervente. Esta pronta quando as folhas se soltam facilmente ao serem puxadas (+/- 40 minutos).

Dicas:

- tomar cuidado para a água não evaporar totalmente e queimar o fundo das alcachofras. Eu sempre vou colocando mais água conforme vai evaporando.

- tomar cuidado para não colocar muita água, porque senão elas podem boiar e tombar.

- eu procuro pegar uma penela onde as alcachofras todas caibam certinho, assim umas apoiam as outras e não tem risco delas virarem e o recheio cair.

Comer

Eu sempre preparo um molhinho de vinagre + um pouquinho de óleo + sal + um pouco da água de cozimento (ela fica um marrom-amarelado). Eu gosto de colocar a água do cozimento pra diluir um pouco o vinagre.

E então começa o ritual: vai pegando as folhinhas, molha a parte de baixo (que fica grudada na alcachofra) no molho e "puxa com o dente a carninha".  Conforme vai chegando no meio da alcachofra, estas folhinhas vão ficando cada vez mais molinhas e dependendo da alcachofra, dá pra comer a folhinha inteira.

Quando acabam as folhinhas, a alcachofra tem uma camada de espinhos. Nas alcachofras chamadas duras, estes espinhos não podem ser comidos, então eles devem ser retirados, mas com cuidado para não perder o coração da alcachofra que esta logo abaixo deles. Quando a alcachofra está molinha, dá pra comer tudo, inclusive estes espinhos.

E após os espinhos, vem o coração da alcachofra que é quase um premio pela paciencia.

O recheio eu vou comendo junto com as folhinhas, tb com o molhinho. O que eu mais gosto é de comer alcachofra com arroz e feijão acompanhando.

Meu marido não tem paciencia porque acha que demora demais. Então estou aproveitando a ausencia dele pra fazer alcachofra sempre que encontro. A semana passada tinha no No Frills 4 alcachofras por 1 dolar. Eu fiz duas vezes (8 de cada vez) e quase morri de tanto comer!!!

Como quem sai aos seus não degenera, minhas crianças também gostam bastante! Espero que vcs tentem um dia: é no mínimo diferente e pode ser uma boa idéia para receber uma visita especial.

April 25, 2012

Violência se aproximando

Apesar de ainda me sentir totalmente segura em Toronto e não sentir que tenho motivos para me preocupar, meus vizinhos sempre me alertam sobre a "escalada da violência" na cidade.  As vezes eu tenho vontade de contar a eles o q é violência de verdade, mas tenho que entender que para quem vivia aqui há mais de 20 anos atrás, a cidade realmente está violentíssima.

Sem comparar nada com nada, os torontianos estão tendo que aprender a se proteger e para isso estão tendo que mudar certos habitos. Uma colega teve o GPS do carro roubado porque não trancava o carro. A mãe de uma amiguinho das crianças teve o carro roubado a semana passada pelo mesmo motivo. E uma amiga brasileira tb teve o carro roubado e segundo os policiais, o carro dela é muito visado.

O interessante é que esta violência incomoda demais a população. As pessoas ficam inconformadas por estarem perdendo o direito de deixar o carro aberto ou a porta destrancada ou simplesmente largarem suas coisas na frente da casa. E de certa forma eu acho que o que segura a violência ainda é este sentimento de revolta, de não aceitar, de se sentir agredido por ser obrigado a trancar a porta.

E claro, as punições. O cara até arrisca, mas sabe muito bem que se for pego...